DISCIPLINA DE ÉTICA,
POLÍTICAS PÚBLICAS E DIPLOMACIA AMBIENTAL
26 de Fevereiro a 11 de Junho de 2010
Sumário
I. Resumo do Programa.
II. Roteiro da Disciplina.
III. Modelo de funcionamento.
IV. Proposta de Avaliação.
I
Resumo do Programa
A crise do ambiente -- de que as alterações climáticas
são o expoente de maior visibilidade -- é inseparável
da transformação do conhecimento numa instituição
social a que chamamos hoje “tecnociência”, e
que se tornou na instância motora das dinâmicas sociais,
económicas e culturais fundamentais da nossa “civilização”.
Foi no seu quadro e no âmbito da sua emergência que
se constituiu a modernidade, quer na sua idade épica caracterizada
pela idolatria do progresso, quer na sua fase actual e melancólica,
que alguns autores tendem a denominar como “modernidade
reflexiva”. Nesta disciplina serão analisados os
processo de formação das políticas públicas
de ambiente, como tentativa de resposta aos diferentes eventos
integrantes, e respectivas representações, da crise
global do ambiente. Serão tidas em conta os diferentes
modelos de institucionalização e grelhas de critérios
para aferir da qualidade do desempenho, bem como da interacção
dessas políticas com as culturas políticas e administrativas
prevalecentes nos vários contextos nacionais analisados.
Os fundamentos éticos e axiológicos, evidentes e
latentes, das políticas públicas serão igualmente
objecto de consideração. Uma atenção
especial será conferida ao papel da União Europeia
(sem esquecer os Estados Unidos da América), quer como
actor internacional, quer como horizonte referencial para a configuração
das políticas ambientais domésticas dos diferentes
Estados-Membros.
O tema das alterações climáticas será
analisado de modo transversal, não esquecendo o seu papel
na reconfiguração das prioridades da agenda do sistema
internacional e da diplomacia ambiental.
II
Roteiro da Disciplina
(Nota: As datas podem ser alteradas, devido a troca de horário
com outros colegas docentes, mas o rumo temático da disciplina
será mantido)
(1)
26 de Fevereiro, 18 00-20 00h
Crise ou Colapso Ambiental? O estado da arte da crise global do
ambiente e as dinâmicas do crescimento económico.
Representações históricas da constelação
ambiental. As alterações climáticas como
risco estratégico e a “janela de oportunidade”
para uma transição energética. A encruzilhada
entre a crise e o colapso.
(2)
5 de Março, 18 00-20 00h
Como poderemos viver em conjunto? Política E Sociedade
na idade da crise do Ambiente. A fragilidade intrínseca
das sociedades como construções humanas. A esfera
da política. Indivíduos, fracções
e entropia. O maior desafio: como poderá uma civilização
tecnoológica habitar a Terra? Respostas e interrogações
políticas.
(3)
12 de Março, 18 00-20 00h
Verdade e Políticas Públicas. Um diálogo
com Hannah Arendt. Definição e natureza do problema.
Verdades de facto e verdades de razão. Carácter
imperativo da verdade e sua repercussão política.
A manipulação e a mentira como instrumento político.
A mentira como empresa organizada nas sociedades contemporâneas.
A “linha vermelha” da diferença entre verdade
e mentira e o risco mortal da sua perda.
(4)
19 de Março, 18 00-20 00h
Ética, Ética Pública, crise ambiental e direitos
humanos. Da diversidade de éticas ambientais à contracção
de expectativas em matéria de desenvolvimento. Princípios
de renovação da ética pública, na
incerta transição para uma cultura de sustentabilidade.
(5)
26 de Março, 18 00-20 00h
Ciência, Utopia e Modernidade. De Prometeu a Fausto: o processo
de construção da sociedade tecnocientífica
contemporânea.
(6)
9 de Abril, 18 00-20 00h
A fragmentação do saber científico. O sindroma
das “duas culturas”. Do positivismo à leveza
pós-moderna. A emergência da complexidade crescente.
Os dilemas políticos da ciência.
(7)
16 de Abril, 18 00-20 00h
Caracterização da política pública
de ambiente. Génese histórica. Federalismo, democracia
e crise ambiental. O caso da formação da Política
Pública de Ambiente nos EUA.
(8)
23 de Abril, 18 00-20 00h
A Política Pública de Ambiente em Portugal. História,
caracterização e limites. A política pública
de ambiente na União Europeia. Do Tratado de Roma ao Tratado
de Lisboa. História, características e tendências.
(9)
7 de Maio, 18 00-20 00h
Crise do ambiente e movimentos sociais. O Ambientalismo como “movimento”.
Dimensões culturais e sociológicas profundas. Os
novos e os velhos valores. O Ambientalismo em Portugal. Estado
e sociedade civil. Movimentos, causas e organizações.
Das raízes culturais arcaicas ao momento actual.
(10)
14 de Maio, 18 00-20 00h
A “segurança ambiental”. A evolução
das representações da paz e da guerra. Os novos
desafios representados pela crise global do ambiente.
(11)
21 de Maio, 18 00-20 00h
A diplomacia ambiental. Potenciais e limitações
dos regimes ambientais no direito internacional público.
Em direcção a um sistema internacional de cooperação
compulsiva. Por um novo habitar da Terra.
(12)
28 de Maio, 18 00-20 00h
Apresentação e discussão de textos.
(13)
4 de Junho, 18 00-20 00h
Apresentação e discussão de textos.
(14)
11 de Junho, 18 00-20 00h
Apresentação e discussão de textos.
III
Modelo de Funcionamento
As aulas com tema já indicado (as onze primeiras) serão
divididas em duas partes. A primeira será constituída
pela apresentação do docente. A segunda parte da
aula consistirá num debate em torno dos temas abordados
na primeira parte a partir da intervenção dos alunos,
individual ou em grupo.
Em todas as aulas serão efectuadas indicações
de bibliografia relevante, sendo igualmente recomendadas leituras
de preparação da aula seguinte.
IV
Proposta de avaliação
1. A avaliação nesta disciplina pretende suscitar
a reflexão dos alunos sobre temas centrais, que possam
estabelecer algum tipo de relação com o seu projecto
de dissertação de doutoramento.
2. A avaliação pretende-se aberta, podendo o aluno
escolher entre: a) Exame escrito final (não presencial),
ou: b) um pequeno ensaio, a combinar previamente com o docente,
e que será objecto de posterior discussão com o
mesmo.
V
Bibliografia
Em todas as aulas será recomendada
bibliografia específica. Desde já, todavia, elencam-se
mais de três dezenas de textos da autoria do docente da
disciplina, que se revestem de interesse para a disciplina, e
que podem ser acedidos no sítio do responsável pela
disciplina (www.viriatosoromenho-marques.com),
a saber, na área designada como
Guia de Textos para apoio às actividades académicas
Elenco e referências bibliográficas:
Viriato Soromenho-Marques